sábado, 2 de julho de 2016

Lendo Casa-grande & Senzala, de Gilberto Freire

            Vou tentar fazer aqui um diário da minha leitura, uma espécie de resumo, só que com as minhas impressões, meus pensamentos. Vou tentar ir resumindo tudo por capítulos e ver se consigo chegar a algumas conclusões.
            Esse livro é centro de muitas discussões no curso que faço – História. De um lado as críticas assertivas, do outro um endeusamento, no meio aqueles que clamam por neutralidade “sim, merece críticas, mas não podemos deixar de reconhecer o valor da obra.”, e todas essas discussões tem como pano de fundo a construção de um currículo acadêmico (devo dizer que há um bom tempo deixei de crer que o caminho do meio é sempre o mais sensato). Vou usar as minhas férias para ler essa obra e poder tirar as minhas próprias opiniões, saber o que é isso que todos criticam.

O texto inicial do FHC
            Não simpatizo com o FHC, então já estou entrando nesse texto com o pé bem atrás. O texto começa alegando que o Gilberto Freyre realmente merece todas as críticas que recebeu, porém que o livro é inegavelmente eterno, o que é algo que eu até concordo, deu base pra muita coisa boa e ruim na academia. Coloca o autor como um gênio iluminado, esse papel do gênio é algo que eu preciso ler, pra conseguir entender melhor, até agora tudo que sei é: o gênio, enquanto tropo, só existe em uma sociedade ocidental branca.
            “A história que está sendo contada é a história de muitos de nós, de quase todos nós, senhores e escravos. Não é por certo a dos imigrantes. Nem a das populações autóctones. Mas a história dos portugueses, de seus descendentes e dos negros, que se não foi exatamente como aparece no livro, poderia ter sido a história de personagens ambíguos que, se abominavam certas práticas da sociedade escravocrata, se embeveciam de outra, com as mais doces, as mais sensuais.”
            Me deu a impressão de que o que ele quer dizer aqui é que os escravos, apesar de sofrerem com a escravidão, se “embeveciam” dela, por meio do sexo. Logo em seguida é dito que na história de opostos que é contada “os contrários se justapõem, frequentemente de forma ambígua, e convivem em harmonia.”, ou seja, que no Brasil há a convivência harmônica entre explorador e explorado.

            Há um apanhado breve de como a academia absorveu a obra, mas com críticas sempre sutis, de dois homens da mesma classe talvez, não sei, me pareceu que a ideia chave do autor é que apesar de não ser bacana o mito da democracia racial, no Brasil ele tem um grande fundo de verdade, e nesse sentido eu tendo a discordar.

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