Vou
tentar fazer aqui um diário da minha leitura, uma espécie de resumo, só que com
as minhas impressões, meus pensamentos. Vou tentar ir resumindo tudo por
capítulos e ver se consigo chegar a algumas conclusões.
Esse livro é centro de muitas
discussões no curso que faço – História. De um lado as críticas assertivas, do
outro um endeusamento, no meio aqueles que clamam por neutralidade “sim, merece
críticas, mas não podemos deixar de reconhecer o valor da obra.”, e todas essas
discussões tem como pano de fundo a construção de um currículo acadêmico (devo
dizer que há um bom tempo deixei de crer que o caminho do meio é sempre o mais
sensato). Vou usar as minhas férias para ler essa obra e poder tirar as minhas
próprias opiniões, saber o que é isso que todos criticam.
O texto inicial do FHC
Não simpatizo com o FHC, então já
estou entrando nesse texto com o pé bem atrás. O texto começa alegando que o
Gilberto Freyre realmente merece todas as críticas que recebeu, porém que o
livro é inegavelmente eterno, o que é algo que eu até concordo, deu base pra
muita coisa boa e ruim na academia. Coloca o autor como um gênio iluminado,
esse papel do gênio é algo que eu preciso ler, pra conseguir entender melhor,
até agora tudo que sei é: o gênio, enquanto tropo, só existe em uma sociedade
ocidental branca.
“A história que está sendo contada é
a história de muitos de nós, de quase todos nós, senhores e escravos. Não é por
certo a dos imigrantes. Nem a das populações autóctones. Mas a história dos
portugueses, de seus descendentes e dos negros, que se não foi exatamente como
aparece no livro, poderia ter sido a história de personagens ambíguos que, se
abominavam certas práticas da sociedade escravocrata, se embeveciam de outra,
com as mais doces, as mais sensuais.”
Me deu a impressão de que o que ele
quer dizer aqui é que os escravos, apesar de sofrerem com a escravidão, se “embeveciam”
dela, por meio do sexo. Logo em seguida é dito que na história de opostos que é
contada “os contrários se justapõem, frequentemente de forma ambígua, e
convivem em harmonia.”, ou seja, que no Brasil há a convivência harmônica entre
explorador e explorado.
Há um apanhado breve de como a
academia absorveu a obra, mas com críticas sempre sutis, de dois homens da
mesma classe talvez, não sei, me pareceu que a ideia chave do autor é que
apesar de não ser bacana o mito da democracia racial, no Brasil ele tem um
grande fundo de verdade, e nesse sentido eu tendo a discordar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário