O
colonizador português: antecedentes e predisposições
Me saltou a vista o tom que o autor usa ao longo de todo
o capítulo quando descreve o colonizador português, um tom de grandeza e
admiração. O foco do texto é a formação híbrida da sociedade portuguesa,
alegando que a escravização dos mouros foi o que os preparou para a experiência
escravista na América, mostrando também que, por meio de sua mão-de-obra, a
tecnologia moura influenciou muito Portugal e que como conseqüência a cultura
moura influenciou e adentrou na vida brasileira..
O português é mostrado como o menos cruel dos
escravistas, pois, diferentemente dos outros, ele se deforma ao entrar em
contato com novas raças e, ao invés de se afastar, de sentir repulsa, ele
confraterniza com elas.
“Engana-se, ao
nosso ver, quem supõe ter o português se corrompido na colonização da África,
da Índia e do Brasil. Quando ele projetou por dois terços do mundo sua grande
sombra de escravocratas, já suas fontes de vida e saúde econômica se achavam
comprometidas. Seria ele o corruptor e não a vítima.”
Coloca a escravidão e o escravo negro como absolutamente
necessários para a sobrevivência da hegemonia portuguesa em um cenário mundial.
Muitas coisas da minha leitura se perderam porque demorei
para fichar e para desenvolver meus pensamentos, já me esqueci de quase todas
as teses defendidas no capítulo, sei que tinha algo sobre parasitismo judeu,
alguma coisa a respeito do conflito entre jesuítas e senhores de terras, sobre
como foi resolvido, enfim, o que me sobrou foram as análises da sexualidade
portuguesa e posteriormente da brasileira, na verdade nem isso, apenas achei
interessante como o autor analisa a religião católica no Brasil na página 326:
“Os grandes santos nacionais tornaram-se
aqueles a quem a imaginação do povo achou de atribuir milagrosa intervenção em
aproximar os sexos, em fecundar as mulheres, em proteger a maternidade: Santo
Antônio, São João, São Gonçalo do Amarante, São Pedro, o Menino Deus, Nossa
Senhora do Ó, da Boa Hora, da Conceição, do Bom Sucesso, do Bom Parto. Nem os
santos guerreiros como São Jorge, nem os protetores das populações contra a
peste como São Sebastião ou contra a fome como Santo Onofre – santos cuja
popularidade corresponde a experiência dolorosamente portuguesas – elevaram-se
nunca a importância ou ao prestígio de outros patronos do amor humano e da
fecundidade agrícola.”
Uma
religião voltada para a procriação tem muito a ver com um projeto colonizador
que depende do aumento da população de um território.
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