domingo, 4 de setembro de 2016

Lendo Casa-grande & Senzala: o terceiro capítulo


 O colonizador português: antecedentes e predisposições
Me saltou a vista o tom que o autor usa ao longo de todo o capítulo quando descreve o colonizador português, um tom de grandeza e admiração. O foco do texto é a formação híbrida da sociedade portuguesa, alegando que a escravização dos mouros foi o que os preparou para a experiência escravista na América, mostrando também que, por meio de sua mão-de-obra, a tecnologia moura influenciou muito Portugal e que como conseqüência a cultura moura influenciou e adentrou na vida brasileira..
O português é mostrado como o menos cruel dos escravistas, pois, diferentemente dos outros, ele se deforma ao entrar em contato com novas raças e, ao invés de se afastar, de sentir repulsa, ele confraterniza com elas.
 “Engana-se, ao nosso ver, quem supõe ter o português se corrompido na colonização da África, da Índia e do Brasil. Quando ele projetou por dois terços do mundo sua grande sombra de escravocratas, já suas fontes de vida e saúde econômica se achavam comprometidas. Seria ele o corruptor e não a vítima.”
Coloca a escravidão e o escravo negro como absolutamente necessários para a sobrevivência da hegemonia portuguesa em um cenário mundial.
Muitas coisas da minha leitura se perderam porque demorei para fichar e para desenvolver meus pensamentos, já me esqueci de quase todas as teses defendidas no capítulo, sei que tinha algo sobre parasitismo judeu, alguma coisa a respeito do conflito entre jesuítas e senhores de terras, sobre como foi resolvido, enfim, o que me sobrou foram as análises da sexualidade portuguesa e posteriormente da brasileira, na verdade nem isso, apenas achei interessante como o autor analisa a religião católica no Brasil na página 326:
 “Os grandes santos nacionais tornaram-se aqueles a quem a imaginação do povo achou de atribuir milagrosa intervenção em aproximar os sexos, em fecundar as mulheres, em proteger a maternidade: Santo Antônio, São João, São Gonçalo do Amarante, São Pedro, o Menino Deus, Nossa Senhora do Ó, da Boa Hora, da Conceição, do Bom Sucesso, do Bom Parto. Nem os santos guerreiros como São Jorge, nem os protetores das populações contra a peste como São Sebastião ou contra a fome como Santo Onofre – santos cuja popularidade corresponde a experiência dolorosamente portuguesas – elevaram-se nunca a importância ou ao prestígio de outros patronos do amor humano e da fecundidade agrícola.”

Uma religião voltada para a procriação tem muito a ver com um projeto colonizador que depende do aumento da população de um território.

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