Eu caminho pela cidade e é como se você estivesse impresso
em todos os cantos, esquinas.
Toda vez que passo por aquela rua me lembro da sensação de descer as escadinhas e ir, relutante, pra um bar desconhecido, aqueles últimos minutos da sua não existência, os últimos momentos em que contemplei um mundo que você não preenchia, em que não raciocinei com uma cabeça que sente saudades suas.
O ônibus passa por aquela praça em que estivemos tantas vezes e em cada canto eu vejo uma face sua: a cara de quem me avalia, sem me conhecer; a cara de quem não quer conversar, que me deixa insegura; a cara de quem me quer por perto sempre, de quem me admira; a cara de quem quer se afastar. Eu me vejo ali de tantas formas, me vejo tímida, com raiva, com medo, me vejo plena e realizada e também me vejo triste. E eu vejo a sua mão nas minhas costas, vejo o seu abraço, seu sorriso me surge com cada detalhe, eu enxergo seus dentes pequenos e separados, tão próximos do meu rosto, e me vem nas bochechas o calor do seu hálito de vinho barato, que se mistura com o cheiro do seu corpo e o cheiro da sua roupa lavada.
Eu vejo a gente descendo aquela rua e conversando sobre nada, e também vejo a gente naquela esquina, a esquina em que vou sempre, sentados na ponta da mesa, conversando até você me beijar, aquele beijo que a gente dá com vontade de rir, que tem gente em volta fazendo palhaçada. Eu vejo a gente conversando muito tempo depois, com vidas muito diferentes. Aí eu ando mais e te vejo naquele morro, que hoje não tem nada, mas já teve uma multidão da qual fazíamos parte.
E quando eu passo por aquela placa eu me vejo chorando enquanto te beijo, assim como me vejo te olhando alguns metros mais pra frente, te olhando enquanto você canta a música que eu sempre quis compartilhar com alguém.
Naquele largo eu vejo a gente sentado nas calçadas, eu me vejo tentando te entender e me vejo incomodada com você se fechando completamente.
E quando eu fecho o olho pra não te ver eu lembro de alguma coisa que esqueci de te contar, aí o impulso é de correr pra falar com você e, quando eu tento esquecer o impulso, tudo que eu consigo é te sentir rondando a minha cabeça.
No fim do dia eu estou na mesma catraca, esperando alguém que eu sei que não é você, mas o lugar faz meu corpo reagir como se você fosse chegar a qualquer momento.
Toda vez que passo por aquela rua me lembro da sensação de descer as escadinhas e ir, relutante, pra um bar desconhecido, aqueles últimos minutos da sua não existência, os últimos momentos em que contemplei um mundo que você não preenchia, em que não raciocinei com uma cabeça que sente saudades suas.
O ônibus passa por aquela praça em que estivemos tantas vezes e em cada canto eu vejo uma face sua: a cara de quem me avalia, sem me conhecer; a cara de quem não quer conversar, que me deixa insegura; a cara de quem me quer por perto sempre, de quem me admira; a cara de quem quer se afastar. Eu me vejo ali de tantas formas, me vejo tímida, com raiva, com medo, me vejo plena e realizada e também me vejo triste. E eu vejo a sua mão nas minhas costas, vejo o seu abraço, seu sorriso me surge com cada detalhe, eu enxergo seus dentes pequenos e separados, tão próximos do meu rosto, e me vem nas bochechas o calor do seu hálito de vinho barato, que se mistura com o cheiro do seu corpo e o cheiro da sua roupa lavada.
Eu vejo a gente descendo aquela rua e conversando sobre nada, e também vejo a gente naquela esquina, a esquina em que vou sempre, sentados na ponta da mesa, conversando até você me beijar, aquele beijo que a gente dá com vontade de rir, que tem gente em volta fazendo palhaçada. Eu vejo a gente conversando muito tempo depois, com vidas muito diferentes. Aí eu ando mais e te vejo naquele morro, que hoje não tem nada, mas já teve uma multidão da qual fazíamos parte.
E quando eu passo por aquela placa eu me vejo chorando enquanto te beijo, assim como me vejo te olhando alguns metros mais pra frente, te olhando enquanto você canta a música que eu sempre quis compartilhar com alguém.
Naquele largo eu vejo a gente sentado nas calçadas, eu me vejo tentando te entender e me vejo incomodada com você se fechando completamente.
E quando eu fecho o olho pra não te ver eu lembro de alguma coisa que esqueci de te contar, aí o impulso é de correr pra falar com você e, quando eu tento esquecer o impulso, tudo que eu consigo é te sentir rondando a minha cabeça.
No fim do dia eu estou na mesma catraca, esperando alguém que eu sei que não é você, mas o lugar faz meu corpo reagir como se você fosse chegar a qualquer momento.
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