quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

    Eu não sou uma pessoa que faz amizades facilmente, sou tímida e, até onde as minhas lembranças conseguem captar, é essa a imagem que tenho das minhas interações. Demoro para construir meus laços, valorizo demais as questões do coração, os sentimentos e os cuidados que ofereço às pessoas, talvez porque a vida se mostrou, em muitos momentos, uma sucessão de relações em que cuidei e não fui cuidada. Quando me apego sou leal, aquela que tá sempre do lado pra qualquer coisa, que fica genuinamente feliz com as conquistas daqueles que ama.
    E, apesar de todo esse meu protocolo, tem gente que é assim, chega do nada e em momentos inesperados e, quando percebo, já se tornou tão parte da minha paisagem que é como se estivesse lá desde sempre. Chega a ser estranho buscar na memória e perceber que houve um tempo em que aquela pessoa não existiu.
    Essa época do ano é melancólica pra mim, me faz lembrar das despedidas doídas e eternas e me faz reviver as despedidas temporárias. É importante pontuar que, para aqueles que são como eu, cada despedida é muito impactante, é sempre uma ruptura para a qual não se está preparado. O resultado é sempre o mesmo: eu tentando rejuntar meus cacos o suficiente pra estar pronta pra próxima.
    No fim eu agradeço a todos aqueles que insistiram na minha amizade e quebraram as minhas camadas de medo e antipatia, agradeço aqueles que me mostraram que há leveza nas conversas e aquele que já conheci com a despedida se mostrando discreta no horizonte.
    E é pra esse último que eu desejo uma felicidade gigante e incondicional a ponto de encabular aqueles que a observam. Vai, vive feliz, mas volta e faz visita na minha vida de vez em quando, porque eu vou sentir saudades.

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