A Redoma de Vidro é o único romance escrito por Sylvia Plath, poeta que se suicidou em 1963, aos 30 anos.
A obra, autobiográfica, retrata o início da vida adulta de uma menina pobre que cresceu em uma cidade pequena e sempre foi a melhor aluna de sua classe e acabou ganhando uma bolsa de estudos para uma ótima universidade.
O enredo se inicia quando a jovem (é difícil chamar ela de Esther, pois durante a leitura eu só conseguia pensar nela como Sylvia) ganha um estágio de 30 dias em uma grande revista adolescente em Nova Iorque, com estadia, jantares e diversas roupas e maquiagens pagos.
O romance é narrado em primeira pessoa e podemos ver, pouco a pouco, a insatisfação e o desânimo crescentes da menina, vemos também suas constantes reflexões a respeito da vida e sua vivacidade sendo sugada pela sua mente, que basicamente entra em surto, sofre um colapso. Essa bolsa realmente existiu na vida de Sylvia, e na minha opinião, a gota d'água que dispara o colapso de Esther é aquilo que acontece no final do estágio e a faz jogar todas as suas roupas do terraço do hotel, que eu não posso contar porque seria spoiler, mas se alguém ler isso aqui, pode me contar se também acha que o motivo foi esse.
A jovem está passando pelos dilemas da entrada na vida adulta: o que fazer no futuro, como construir a própria carreira, o que fazer com seus relacionamentos, como lidar com a própria sexualidade, com a mãe e com a sociedade de uma maneira geral.
O estado de apatia de Esther e sua dificuldade em se sentir bem com a sua própria vida me causaram uma grande identificação, estou passando pelas mesmas coisas que ela, por um turbilhão emocional gerado por uma perda e por um medicamento com o qual ainda estou me adaptando e isso me fez ficar mais atenta ao meu estado emocional e me planejar para pedir ajuda antes que meu estado esteja similar ao dela.
O resto do enredo fica pra você que embarcar nessa obra, e fica aqui o conselho de que se deve escolher bem o momento da sua vida e o estado emocional em que você se encontra antes de ler esse livro, porque eu fiquei perturbada por uns dias e essa história ainda tá mexendo muito comigo, principalmente quando relacionada a como a vida da autora acabou.
"[...] me ocorreu que era estranho que nunca tivesse me dado conta de que eu só tinha sido completamente feliz até os meus nove anos de idade.
Depois disso [...] eu nunca tinha sido feliz novamente."- pág. 86
"Então me perguntei se, assim que ele começasse a gostar de mim, ele não se transformaria num sujeito comum aos meus olhos, e se quando começasse a me amar eu não acharia defeito atrás de defeito nele [...]"
"Estava ficando cada vez mais difícil decidir fazer as coisas naqueles últimos dias. E quando eu finalmente decidia fazer algo, como arrumar as minhas malas, eu só conseguia arrancar minhas roupas caras e encardidas das cômodas e dos armários, espalhá-las sobre a cama, perplexa."
"Para a pessoa dentro da redoma de vidro, vazia e imóvel como um bebê morto, o mundo inteiro é um sonho ruim."
PS: Li o livro na edição da Editora Globo e gostei muito dela, capa bonita, espaçamento bem grande, fonte em tamanho confortável, papel amarelado, só um erro da parte traseira do livro passou despercebido pela editora.
PS²: Em uma das minhas piores crises emocionais esse livro estava dentro da minha bolsa, tomei chuva com ele e acabei danificando um pouquinho as bordas, triste né?
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