Eu não sou uma pessoa que faz amizades facilmente, sou tímida e, até onde as minhas lembranças conseguem captar, é essa a imagem que tenho das minhas interações. Demoro para construir meus laços, valorizo demais as questões do coração, os sentimentos e os cuidados que ofereço às pessoas, talvez porque a vida se mostrou, em muitos momentos, uma sucessão de relações em que cuidei e não fui cuidada. Quando me apego sou leal, aquela que tá sempre do lado pra qualquer coisa, que fica genuinamente feliz com as conquistas daqueles que ama.
E, apesar de todo esse meu protocolo, tem gente que é assim, chega do nada e em momentos inesperados e, quando percebo, já se tornou tão parte da minha paisagem que é como se estivesse lá desde sempre. Chega a ser estranho buscar na memória e perceber que houve um tempo em que aquela pessoa não existiu.
Essa época do ano é melancólica pra mim, me faz lembrar das despedidas doídas e eternas e me faz reviver as despedidas temporárias. É importante pontuar que, para aqueles que são como eu, cada despedida é muito impactante, é sempre uma ruptura para a qual não se está preparado. O resultado é sempre o mesmo: eu tentando rejuntar meus cacos o suficiente pra estar pronta pra próxima.
No fim eu agradeço a todos aqueles que insistiram na minha amizade e quebraram as minhas camadas de medo e antipatia, agradeço aqueles que me mostraram que há leveza nas conversas e aquele que já conheci com a despedida se mostrando discreta no horizonte.
E é pra esse último que eu desejo uma felicidade gigante e incondicional a ponto de encabular aqueles que a observam. Vai, vive feliz, mas volta e faz visita na minha vida de vez em quando, porque eu vou sentir saudades.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
Cruel a vida
Sinto que a vida gosta de brincar de me decepcionar, sem nenhum motivo aparente.
Eu sou só uma fodida que não tem sonho nenhum, que tá viva porque tá viva e que só não muda esse fato por falta de coragem quando as coisas estão insuportáveis e por falta de ânimo quando tá tudo bem.
Queria algo pra acreditar de verdade, sabe, algo que me tirasse desse estado de apatia constante, mas analisando aquilo que conheço desses meus anos vividos, quando a vida me tira da apatia é só pra me jogar num buraco de tristeza.
Posso dizer, nesse momento, nesse início de um novo ano, que estou bem, bem de verdade, de coração, os sentimentos ruins não estão me afetando, eu tenho lidado bem com eles, eu tenho lidado bem com o vazio que ficou no meu peito depois do baque mais forte. Tenho lidado bem com a escuridão que ronda cada momento de alegria que tenho, porque aprendi que, antes de me deixar ser abraçada pela escuridão, tenho que me fazer forte o suficiente pra conseguir interromper o abraço, que se me deixo ser abraçada quando estou mal tudo se torna uma bola de neve.
Estar bem me faz ver as coisas de uma forma mais clara, me faz aceitar que grande parte da vida é uma bosta sem grandes sofrimentos, mas também me faz questionar certas coisas, coisas que não entram na minha cabeça por nada.
Eu conheci, há 9 anos, a forma mais pura de amor, e senti isso por 7 anos, é um amor que completa, que cuida, que zela, que enche de alegria em todos os momentos, que chega a doer de tão grande que é, aí a vida foi lá e me tirou isso, arrancou da maneira mais agressiva que poderia ter arrancado e deixou no lugar dele uma ferida que não parava de sangrar.
Cuidei da ferida do modo que pude, até não ter mais sangue pra sair, até que o que sobrou foi um buraco que não cicatriza, crônico mesmo, uma escara com a qual você tem apenas cuidados paliativos, só pra ela não aumentar e não gerar riscos pra sua vida.
Cuidei da ferida mas a vida não quis que a ferida ficasse quieta, cada vez que eu arranjava um remédio novo ela ia e cutucava a ferida, que sangrava por um tempo e me fazia passar de novo pela dor, mesmo que em uma intensidade muito menos do que a do momento em que a ferida foi feita.
E assim tem sido, a vida, só nesse último mês, me mostrou 3 possíveis remédios quase que ao mesmo tempo, e foi me tirando um atrás do outro, tudo bem que estou calejada e as dores foram pequenas, mas entraram pra lista de amarguras que só cresce.
É ruim, mas tenho cada vez mais a consciência de que vou ser uma velha solitária e triste, aquela velha que ninguém quer por perto e tô só esperando pelo momento em que eu e essa velha vamos virar uma só, porque sei que ela me espera em alguma curva da estrada pra pegar o que eu sou hoje e guardar em um quartinho trancado pra ser visitado quase nunca.
Tudo que eu quero são momentos de genuína felicidade, remédios que sirvam pra que a ferida se torne apenas uma quelóide, um ponto que quase nunca doa e que eu possa olhar sempre como uma parte da minha história, que possa ser incluída na lista das minhas memórias mais felizes, que represente a felicidade de ter vivido e não a dor de ter perdido, que a melancolia não seja um sofrimento tão ardido.
Sim, estou bem, mas queria estar melhor (na verdade não queria estar, não queria ser, a ideia da não existência me agrada mais do que tudo).
Eu sou só uma fodida que não tem sonho nenhum, que tá viva porque tá viva e que só não muda esse fato por falta de coragem quando as coisas estão insuportáveis e por falta de ânimo quando tá tudo bem.
Queria algo pra acreditar de verdade, sabe, algo que me tirasse desse estado de apatia constante, mas analisando aquilo que conheço desses meus anos vividos, quando a vida me tira da apatia é só pra me jogar num buraco de tristeza.
Posso dizer, nesse momento, nesse início de um novo ano, que estou bem, bem de verdade, de coração, os sentimentos ruins não estão me afetando, eu tenho lidado bem com eles, eu tenho lidado bem com o vazio que ficou no meu peito depois do baque mais forte. Tenho lidado bem com a escuridão que ronda cada momento de alegria que tenho, porque aprendi que, antes de me deixar ser abraçada pela escuridão, tenho que me fazer forte o suficiente pra conseguir interromper o abraço, que se me deixo ser abraçada quando estou mal tudo se torna uma bola de neve.
Estar bem me faz ver as coisas de uma forma mais clara, me faz aceitar que grande parte da vida é uma bosta sem grandes sofrimentos, mas também me faz questionar certas coisas, coisas que não entram na minha cabeça por nada.
Eu conheci, há 9 anos, a forma mais pura de amor, e senti isso por 7 anos, é um amor que completa, que cuida, que zela, que enche de alegria em todos os momentos, que chega a doer de tão grande que é, aí a vida foi lá e me tirou isso, arrancou da maneira mais agressiva que poderia ter arrancado e deixou no lugar dele uma ferida que não parava de sangrar.
Cuidei da ferida do modo que pude, até não ter mais sangue pra sair, até que o que sobrou foi um buraco que não cicatriza, crônico mesmo, uma escara com a qual você tem apenas cuidados paliativos, só pra ela não aumentar e não gerar riscos pra sua vida.
Cuidei da ferida mas a vida não quis que a ferida ficasse quieta, cada vez que eu arranjava um remédio novo ela ia e cutucava a ferida, que sangrava por um tempo e me fazia passar de novo pela dor, mesmo que em uma intensidade muito menos do que a do momento em que a ferida foi feita.
E assim tem sido, a vida, só nesse último mês, me mostrou 3 possíveis remédios quase que ao mesmo tempo, e foi me tirando um atrás do outro, tudo bem que estou calejada e as dores foram pequenas, mas entraram pra lista de amarguras que só cresce.
É ruim, mas tenho cada vez mais a consciência de que vou ser uma velha solitária e triste, aquela velha que ninguém quer por perto e tô só esperando pelo momento em que eu e essa velha vamos virar uma só, porque sei que ela me espera em alguma curva da estrada pra pegar o que eu sou hoje e guardar em um quartinho trancado pra ser visitado quase nunca.
Tudo que eu quero são momentos de genuína felicidade, remédios que sirvam pra que a ferida se torne apenas uma quelóide, um ponto que quase nunca doa e que eu possa olhar sempre como uma parte da minha história, que possa ser incluída na lista das minhas memórias mais felizes, que represente a felicidade de ter vivido e não a dor de ter perdido, que a melancolia não seja um sofrimento tão ardido.
Sim, estou bem, mas queria estar melhor (na verdade não queria estar, não queria ser, a ideia da não existência me agrada mais do que tudo).
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