terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída.....

    Cresci ouvindo falar sobre Christiane F., é um livro que marcou a adolescência de todas as minhas irmãs e, por isso, até hoje elas soltam comentários e referências ao livro, mesmo do alto dos seus já 30 anos de idade. 
     Assisti ao filme há dois anos e, na época, a visão que tive a respeito da história foi muito equivocada, glamurizei o estilo junkie e invejava o amor verdadeiro de Christiane e Detlef. O tempo passou e, lendo a história agora, minha interpretação mudou, mudou muito.
  A leitura que Christiane faz da sociedade é ácida e extremamente sensível, os capítulos da mãe de Christiane e outras pessoas fazem com que o texto fique mais plural e trazem um tipo diferente de abordagem.
    Sobre os temas presentes no livro, posso dizer que Christiane F. é uma história universal e decidi comentar os seguintes assuntos: a carência e a relação com a família, o uso de drogas, pedofilia e prostituição e o ponto de vista de tantos jovens em relação à morte.
   Christiane cresceu em uma família desestruturada e desde cedo foi muito carente, encontrou nos amigos uma espécie de refúgio, principalmente nos seus amigos de droga.
   Sobre o uso de drogas é importante falar que muitos dos problemas enfrentados por ela são também enfrentados pelos usuários de droga do Brasil, como a falta de instituições  e as internações mal-sucedidas e não acompanhadas por um programa social. A diferença é a própria droga, já que a heroína nunca foi uma epidemia em nosso país, mas os cenários descritos lembram muito o fenômeno da cracolândia.
      No livro, podemos perceber também como a prostituição é algo feito para o consumo masculino e como as principais exploradas são as mulheres. O vício acaba jogando jovens meninas na prostituição e, para elas, o mercado é bem maior do quê para mulheres adultas. Prostituição e pedofilia caminham lado a lado, o que me faz pensar sobre como a PL Gabriela Leite é absurda em diversos pontos, mas principalmente porquê uma mulher que se prostitui aos 18 anos, muito provavelmente já se prostituía antes disso.
     Algo que me chocou durante a leitura é a postura daqueles jovens a respeito da morte, ao longo da história eles ficam cada vez mais dessensibilizados e a encaram de maneira mais fria, como se conformados de que aquilo era o que definia seus próprios futuros.
     Gostei muito da leitura, mas sei que se a realizasse daqui uns anos o aproveitamento seria bem menor (tenho 17 anos e acho que o livro é meio que feito para ser lido durante a adolescência).

         Recomendo o livro e admiro muito a Christiane, estou lendo o novo livo dobtr a vida dela e em breve faço a resenha. Por hoje é isso.


   

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