quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resenha: Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo

      Ver como se deu a vida de Christiane F. após o final do primeiro livro foi muito bom. Algo que me agradou nessa obra foi o fato de que o estilo jornalístico se manteve na narrativa, com a diferença de que o foco se concentrou mais na própria Christiane e de que as reflexões (será que o motivo é que se passaram mais ou menos 40 anos entre um livro e outro e que geralmente uma mulher de 51 anos é mesmo mais madura do que uma menina de 13? Não sei, né, fica o mistério.).
       Com esse novo livro, a minha admiração pela Christiane só aumentou, ela é uma pessoa sensível, complexa, inteligente e extremamente guerreira. Com esse livro, me veio também a certeza de que Christiane não estaria viva sem o dinheiro da venda do primeiro livro, o dinheiro deu um pouco de estabilidade à vida dela, a poupou de diversos riscos, e é desse dinheiro que ela vive até hoje.
        A vida de Christiane foi muito interessante, com direito à uma imersão no mercado editorial e ao contato com diversos nichos musicais. Christiane viveu toda a cena punk e eletrônica da Alemanha e conviveu com diversas bandas, inclusive montou uma dupla musical com um de seus namorados.

        "Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." mudou a vida de Christiane e possibilitou que ela conhecesse diversos nomes da música americana, como Bowie (de quem ela parece guardar certo rancor) e Iggy Pop. Christiane teve também a oportunidade de jogar tudo pro alto e viver um estilo de vida hippie na Grécia e depois viver com amigos na Suíça.

         São muitas as pessoas que Christiane conheceu ao longo da vida, mas, atualmente, Christiane é uma mulher solitária e com sérios problemas no fígado, problemas esses que dão ao livro um tom de despedida, como se, antes de partir, ela quisesse esclarecer todas as polêmicas que emolduraram sua vida.
        Vemos, ao longo das páginas, uma mulher que viveu de tudo e que sofre muito, principalmente por ter perdido a guarda do filho, uma mulher que se sente perseguida e vigiada, mas em cuja história não conseguimos saber a linha que separa a verdade da paranóia, uma mulher cuja vida foi toda noticiada das maneiras mais cruéis e deturpadas possível, uma mulher que buscou refúgio no isolamento, e, acima de tudo, uma mulher cansada.
       Em um dado momento do livro, Christiane responde uma das coisas que todos nós queremos saber: Onde está Detlev? E sua resposta é bem simples: "Que mulher de 51 anos sabe onde está o seu primeiro namorado? Parem de me perguntar isso.".
       Enfim, o livro é muito bom e a edição da Bertrand Brasil está bem diagramada, com folhas amareladas e diversas fotografias.
                                                              Leiam!!!!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída.....

    Cresci ouvindo falar sobre Christiane F., é um livro que marcou a adolescência de todas as minhas irmãs e, por isso, até hoje elas soltam comentários e referências ao livro, mesmo do alto dos seus já 30 anos de idade. 
     Assisti ao filme há dois anos e, na época, a visão que tive a respeito da história foi muito equivocada, glamurizei o estilo junkie e invejava o amor verdadeiro de Christiane e Detlef. O tempo passou e, lendo a história agora, minha interpretação mudou, mudou muito.
  A leitura que Christiane faz da sociedade é ácida e extremamente sensível, os capítulos da mãe de Christiane e outras pessoas fazem com que o texto fique mais plural e trazem um tipo diferente de abordagem.
    Sobre os temas presentes no livro, posso dizer que Christiane F. é uma história universal e decidi comentar os seguintes assuntos: a carência e a relação com a família, o uso de drogas, pedofilia e prostituição e o ponto de vista de tantos jovens em relação à morte.
   Christiane cresceu em uma família desestruturada e desde cedo foi muito carente, encontrou nos amigos uma espécie de refúgio, principalmente nos seus amigos de droga.
   Sobre o uso de drogas é importante falar que muitos dos problemas enfrentados por ela são também enfrentados pelos usuários de droga do Brasil, como a falta de instituições  e as internações mal-sucedidas e não acompanhadas por um programa social. A diferença é a própria droga, já que a heroína nunca foi uma epidemia em nosso país, mas os cenários descritos lembram muito o fenômeno da cracolândia.
      No livro, podemos perceber também como a prostituição é algo feito para o consumo masculino e como as principais exploradas são as mulheres. O vício acaba jogando jovens meninas na prostituição e, para elas, o mercado é bem maior do quê para mulheres adultas. Prostituição e pedofilia caminham lado a lado, o que me faz pensar sobre como a PL Gabriela Leite é absurda em diversos pontos, mas principalmente porquê uma mulher que se prostitui aos 18 anos, muito provavelmente já se prostituía antes disso.
     Algo que me chocou durante a leitura é a postura daqueles jovens a respeito da morte, ao longo da história eles ficam cada vez mais dessensibilizados e a encaram de maneira mais fria, como se conformados de que aquilo era o que definia seus próprios futuros.
     Gostei muito da leitura, mas sei que se a realizasse daqui uns anos o aproveitamento seria bem menor (tenho 17 anos e acho que o livro é meio que feito para ser lido durante a adolescência).

         Recomendo o livro e admiro muito a Christiane, estou lendo o novo livo dobtr a vida dela e em breve faço a resenha. Por hoje é isso.