sábado, 19 de dezembro de 2015

Sai

A gente só vai se dando conta do peso que a solidão tem depois que o tempo passa. Cada um segue a sua vida, cada um arranja um par e eu fico aqui sempre sozinha, eu não sei lidar com a minha carência, com os sentimentos que eu tenho e que não tenho pra quem dar, com as coisas que queria compartilhar e não tenho como.
E aí a vida se torna uma procura, mesmo que você não queira que ela se resuma a isso, um vazio, sempre tem algo faltando e você nunca está completa. Ao mesmo tempo parece que você é sempre a última escolha de todo mundo.
É uma sensação muito ruim e eu não aguento mais conviver com ela, porra, uma lua em câncer e uma vênus em libra não ficam bem sem alguém por perto, é sofrível.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Resenha: Enterre meu coração na curva do rio

    O livro foi escrito por Dee Brown, um bibliotecário e professor muito interessado pela história do oeste americano, e lançado em 1970. A obra tenta resgatar ao máximo a visão indígena sobre a colonização, colocando os chefes das tribos e cacicados como os protagonistas.
      A obra tem seus méritos, eu sei, mas o estilo da escrita a torna maçante e conseguir terminá-la foi um suplício pra mim. Não tenho como dizer se a culpa é do autor ou da tradução, que me pareceu não ser das melhores, tudo o que sei é que saio dessa leitura sem a mínima vontade de ler outros escritos desse autor.
    Durante o primeiro capítulo, me interessei muito, mas ao longo dos seguintes, fui percebendo que tudo só se repetia, era como uma fórmula em que iam se mudando o nome das tribos e dos personagens, mas cujo enredo era o mesmo.
         "Mas é claro que o enredo era o mesmo, o livro é sobre várias tribos sendo dizimadas." Sim, mas um bom escritor conseguiria fazer isso de uma maneira que emocionasse o leitor a cada página, a cada nova tribo. Talvez o escritor tivesse se dado melhor sendo menos ambicioso, não tentando reconstruir um panorama geral do assassinato indígena norte-americana e sim se aprofundando na história de uma tribo ou outra, não sei, são dúvidas.
      Uma ótima ideia com uma execução ruim.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Do não ver sentido nas coisas que faço

Minha maior inimiga sou eu, me falta tudo: disciplina, força de vontade, determinação e, ultimamente, o pior de tudo, a vontade de viver.
Na vida social me falta ânimo, não tenho mais vontade de ver os meus amigos, não tenho vontade de sair ou de conhecer pessoas novas, as pessoas, na verdade, me dão intensa vontade de dormir.
Na vida acadêmica me falta sentido, aquela vontade de aprender as coisas e de mudar o mundo através da educação. Não vejo como eu, futura formiguinha em um sistema sucateado, serei capaz de transformar as coisas, logo eu, que já fui tão idealista.
Na militância, bem, essa é uma das únicas coisas em que ainda acredito pelo menos um pouco, porque mulheres sofrem enquanto classe e enlouquecem, perdem a razão de viver (assim como eu nessa fase). Mas vejo os movimentos sociais um pouco restritos ao campo da filantropia e, bem, eu não acredito em filantropia. Mas então qual é a solução? A revolução? E quais são as chances disso acontecer enquanto eu ainda estiver viva? Talvez pouquíssimas, não tiro os meus pés do chão.
Tudo o que eu quero é viver momentos felizes (ser feliz não, ser é permanente demais para defender algo tão fugaz quanto a felicidade) sem sentir que a tristeza vai tomar conta de mim nos cinco minutos seguintes. E viver esses lapsos de felicidade sem os resquícios dos sentimentos sombrios que me acompanham a todo instante.
Imaginar meu futuro vem se tornando cada vez mais nebuloso e o pior é que sei que largar tudo não vai resolver, que só vai me gerar mais vazio, pois tenho a mania de parar tudo na metade,
É isso, sem solução à vista, sem melhora próxima, mas talvez seja só o meu inferno astral (não que eu acredite muito nisso).

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Responsabilidade

Agir antes de pensar nunca é a solução, e o pior de tudo é quando um ato impulsivo acaba machucando a pessoa que você mais ama no mundo e pessoas que não tem nada a ver com a história.
Não me arrependo de ter feito o que fiz, me arrependo de como fiz e do momento em que fiz, e me sinto mal por ela se sentir culpada.
Mas tudo bem, a partir de agora não faço nada sem pensar nas consequências.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Sobre ter um pai que é pai quando dá

Tive uma boa relação com o meu pai enquanto crescia, mesmo depois de ele se separar da minha mãe, mas, em um dado momento, percebi que a procura vinha só da minha parte, que quando eu parava de visitá-lo acabava não recebendo um telefonema ou uma visita (e, bem, eu moro na rua do lado da dele).
Minha mãe sempre teve que correr atrás de tudo pra mim, mesmo quando ficou doente, mesmo quando arranjou um emprego com um salário bem merda. Ela correu atrás de uma bolsa pra mim em uma boa escola e tudo isso sem um pingo de ajuda do meu pai.
Não posso dizer que ele nunca contribuiu com nada, mas nunca foi uma constante, algo em que se pudesse contar. Sei que meu pai já mentiu sobre o salário que recebia e sobre o dinheiro que tinha, e que nas épocas em que ganhou melhor contribuiu com menos do que podia.
Minha mãe não queria levar as coisas para a justiça, queria manter tudo no plano amigável, mas chega uma hora em que as pessoas cansam e ela finalmente fez a ação da pensão alimentícia, e mesmo assim meu pai continuou não pagando. Movemos então a ação do atraso da pensão e estranhamos a demora pra ele ser preso (porque, sinceramente, eu tava torcendo muito pra isso), e então veio a surpresa: meu pai está contestando a ação, alegando que sempre contribuiu com mais do que podia e que agora está desempregado e não pode mais nos ajudar.
Bom, pai, eu sei que isso é mentira, e acho que você devia ter vergonha do que está fazendo. Você diz que se importa comigo e que me ama, mas, mesmo sendo vizinhos, somos capazes de passar mais de um mês sem nos vermos (e não, não comece a me procurar agora, porque não tem mais volta, espero que você carregue essa culpa), você nunca se preocupou com a minha educação, quem sempre correu atrás disso foi a minha mãe.
E eu não quero saber como você vai fazer, eu só quero que você pague pra mim e pra minha mãe aquilo que você nos deve, porque, nos momentos em que você para de contribuir ou contribui com menos do que deveria, eu continuo com os mesmos gastos: eu como, eu consumo água, luz, eu moro, eu preciso de roupas, eu preciso de livros etc.
Espero que você leia isso aqui e que sinta nojo de si mesmo no momento em que se olhar no espelho.
Quero um mundo em que os cuidados com os filhos não sejam exclusivamente das mães, um mundo em que um homem não tenha a coragem de fazer uma merda dessas e ainda se achar o correto na história.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O que é que houve, meu amor, você cortou os seus cabelos?


"Quando eu atravessava aquela rua, morria de medo
De ver o teu sorriso e começar um velho sonho bom
E o sonho fatalmente viraria pesadelo"

   Nunca nos vimos, nunca nos tocamos, mas isso não me impediu de nutrir por você o sentimento mais forte que já tive por alguém, um sentimento que eu acho que nunca vai passar, que tá aqui em mim, grudado e relutando em descolar.
    São incontáveis as noites em que, antes de dormir, imaginei encontros, filhos, relacionamentos, diversos cenários de uma vida na qual você seria uma parte gigante, mas não foi assim que aconteceu. A parte que você ocupa na minha vida é só uma saudade, uma saudade das conversas, das brincadeiras, uma saudade que não passa.
     Parte de mim ainda se dói pelas grosserias, pela forma como a nossa amizade acabou, a outra parte se dói por não ter mais aquele amigo pra conversar.
     Tava tudo bem amortecido, não pense que fiquei sofrendo o tempo todo, só alguns momentos me lembram você, e depois de muito tempo me concentrando em outras coisas e tocando a minha vida (que tem estado cheia de conquistas, cheia de momentos maravilhosos, numa fase de muita reflexão, de superação de outras tristezas - essas muito mais profundas do que o que eu sinto por você, já que mexem com o pior tipo de saudade), me surge uma foto sua, com os cabelos bem mais curtos. 
      No momento em que te vi de cabelo curto, percebi que a vida segue e eu e você mudamos, mudamos bastante e vamos continuar mudando, e em breve nem você vai ser quem eu conheci, nem eu vou ser quem você conheceu. Aquelas duas pessoas vão virar lembranças, que aos poucos vão se perder dentro das nossas mentes.
      E eu, eu te amei, talvez ainda te ame, talvez vá amar pra sempre aquele você. E você, você será uma lembrança bonita dessa época, e eu sei que vou sorrir quando lembrar de você, apesar de todas as desavenças.
                                               Te desejo felicidade, e te desejo isso da                                                                                       maneira mais sincera e pura possível,                                                       espero que a sua vida seja repleta de realizações.
               E isso é um adeus, eu acho, sempre será.

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A música do começo se chama Tesoura do Desejo, e é do Alceu Valença. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resenha: Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo

      Ver como se deu a vida de Christiane F. após o final do primeiro livro foi muito bom. Algo que me agradou nessa obra foi o fato de que o estilo jornalístico se manteve na narrativa, com a diferença de que o foco se concentrou mais na própria Christiane e de que as reflexões (será que o motivo é que se passaram mais ou menos 40 anos entre um livro e outro e que geralmente uma mulher de 51 anos é mesmo mais madura do que uma menina de 13? Não sei, né, fica o mistério.).
       Com esse novo livro, a minha admiração pela Christiane só aumentou, ela é uma pessoa sensível, complexa, inteligente e extremamente guerreira. Com esse livro, me veio também a certeza de que Christiane não estaria viva sem o dinheiro da venda do primeiro livro, o dinheiro deu um pouco de estabilidade à vida dela, a poupou de diversos riscos, e é desse dinheiro que ela vive até hoje.
        A vida de Christiane foi muito interessante, com direito à uma imersão no mercado editorial e ao contato com diversos nichos musicais. Christiane viveu toda a cena punk e eletrônica da Alemanha e conviveu com diversas bandas, inclusive montou uma dupla musical com um de seus namorados.

        "Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída..." mudou a vida de Christiane e possibilitou que ela conhecesse diversos nomes da música americana, como Bowie (de quem ela parece guardar certo rancor) e Iggy Pop. Christiane teve também a oportunidade de jogar tudo pro alto e viver um estilo de vida hippie na Grécia e depois viver com amigos na Suíça.

         São muitas as pessoas que Christiane conheceu ao longo da vida, mas, atualmente, Christiane é uma mulher solitária e com sérios problemas no fígado, problemas esses que dão ao livro um tom de despedida, como se, antes de partir, ela quisesse esclarecer todas as polêmicas que emolduraram sua vida.
        Vemos, ao longo das páginas, uma mulher que viveu de tudo e que sofre muito, principalmente por ter perdido a guarda do filho, uma mulher que se sente perseguida e vigiada, mas em cuja história não conseguimos saber a linha que separa a verdade da paranóia, uma mulher cuja vida foi toda noticiada das maneiras mais cruéis e deturpadas possível, uma mulher que buscou refúgio no isolamento, e, acima de tudo, uma mulher cansada.
       Em um dado momento do livro, Christiane responde uma das coisas que todos nós queremos saber: Onde está Detlev? E sua resposta é bem simples: "Que mulher de 51 anos sabe onde está o seu primeiro namorado? Parem de me perguntar isso.".
       Enfim, o livro é muito bom e a edição da Bertrand Brasil está bem diagramada, com folhas amareladas e diversas fotografias.
                                                              Leiam!!!!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Resenha: Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída.....

    Cresci ouvindo falar sobre Christiane F., é um livro que marcou a adolescência de todas as minhas irmãs e, por isso, até hoje elas soltam comentários e referências ao livro, mesmo do alto dos seus já 30 anos de idade. 
     Assisti ao filme há dois anos e, na época, a visão que tive a respeito da história foi muito equivocada, glamurizei o estilo junkie e invejava o amor verdadeiro de Christiane e Detlef. O tempo passou e, lendo a história agora, minha interpretação mudou, mudou muito.
  A leitura que Christiane faz da sociedade é ácida e extremamente sensível, os capítulos da mãe de Christiane e outras pessoas fazem com que o texto fique mais plural e trazem um tipo diferente de abordagem.
    Sobre os temas presentes no livro, posso dizer que Christiane F. é uma história universal e decidi comentar os seguintes assuntos: a carência e a relação com a família, o uso de drogas, pedofilia e prostituição e o ponto de vista de tantos jovens em relação à morte.
   Christiane cresceu em uma família desestruturada e desde cedo foi muito carente, encontrou nos amigos uma espécie de refúgio, principalmente nos seus amigos de droga.
   Sobre o uso de drogas é importante falar que muitos dos problemas enfrentados por ela são também enfrentados pelos usuários de droga do Brasil, como a falta de instituições  e as internações mal-sucedidas e não acompanhadas por um programa social. A diferença é a própria droga, já que a heroína nunca foi uma epidemia em nosso país, mas os cenários descritos lembram muito o fenômeno da cracolândia.
      No livro, podemos perceber também como a prostituição é algo feito para o consumo masculino e como as principais exploradas são as mulheres. O vício acaba jogando jovens meninas na prostituição e, para elas, o mercado é bem maior do quê para mulheres adultas. Prostituição e pedofilia caminham lado a lado, o que me faz pensar sobre como a PL Gabriela Leite é absurda em diversos pontos, mas principalmente porquê uma mulher que se prostitui aos 18 anos, muito provavelmente já se prostituía antes disso.
     Algo que me chocou durante a leitura é a postura daqueles jovens a respeito da morte, ao longo da história eles ficam cada vez mais dessensibilizados e a encaram de maneira mais fria, como se conformados de que aquilo era o que definia seus próprios futuros.
     Gostei muito da leitura, mas sei que se a realizasse daqui uns anos o aproveitamento seria bem menor (tenho 17 anos e acho que o livro é meio que feito para ser lido durante a adolescência).

         Recomendo o livro e admiro muito a Christiane, estou lendo o novo livo dobtr a vida dela e em breve faço a resenha. Por hoje é isso.