quinta-feira, 30 de outubro de 2014

    Aquele sentimentos que bate quando chega o fim do ano e você tem a certeza de que não estudou nada. Foram 12 anos de escola, pra você começar a descambar no décimo e virar aquele pior tipo de aluno possível no último ano.
   Quando você percebe que o ano mais importante de todos foi o único em que você não estudou nada, o desespero é inevitável. Esse foi um ano passado em branco, eu não aprendi nada, eu virei turista na sala de aula (sempre faltava e, quando estava na sala, estava dormindo).
    E o pior de tudo é que, se for parar pra pensar, não é como se eu tivesse abandonado os estudos pra curtir a vida adoidado, que aí uma coisa meio que compensaria a outra. Não, eu nem saí tanto assim, eu nem bebi tanto assim, eu nem fumei tanto assim, eu só entrei num estado de apatia que tá me custando a passar até agora, mesmo com o futuro batendo aqui na porta.
    Em algum lugar lá atrás eu perdi a minha capacidade de concentração, de aprendizagem, e minha fé numa mudança de mundo e numa vida completa.
    Uma semana pro enem.
    Um mês pra FUVEST.
    Eu estou completamente desesperada e realmente não sei se vou passar.
    Isso me deixa triste, porque se a eu de 2011 visse o que eu me tornei, ela não gostaria.

domingo, 26 de outubro de 2014

Resenha: Cidade de Deus

  
       Cidade de Deus é um romance de Paulo Lins, publicado e, 1997, que se baseia em fatos reais (o processo de pesquisa e coleta de materiais durou oito anos - de 1986 a 1993) e que narra a história do conjunto habitacional Cidade de Deus, mostrando as mudanças sofridas sofridas entre 1960 e 1990 - a passagem de uma criminalidade baseada em furtos e assaltos para o crescimento do tráfico de drogas e o surgimento do Comando Vermelho.
       Quero deixar bem claro, já nessas primeiras linhas, que essa é uma história sobre homens, contada por um homem para outros homens. Não existe uma personagem feminina realmente importante, talvez apenas Ana Rubro Negra, que, mesmo assim, não tem tanta relevância na história. Mas eu gostei do livro mesmo assim.
        O estilo do autor passeia entre a escrita poética e uma narração extremamente gráfica. O jeito de escrever de Paulo Lins prende o leitor e, mesmo sendo de fácil entendimento, apresenta uma grande riqueza de vocabulário e de recursos.
   

  A história é dividida em três partes: A história de Inferninho, A história de Pardalzinho e A história de Zé Miúdo. Esses três personagens são os fios condutores da história, mas a grande protagonista da obra é a própria Cidade de Deus.
      Esse é o tipo de leitura que causa desconforto, por mostrar de um modo muito realista a violência, a crueldade humana e a desigualdade social em sua face mais cruel. Apesar de todo o desconforto e de toda a carga trazida pelo conteúdo dessa história, a narrativa também nos mostra o lado mais leve da vida das personagens, um lado boêmio e despreocupado.
   O que muito me agradou foi a construção das personagens, que se dá de maneira complexa, conhecemos os sofrimentos, os complexos e os sentimentos de todos aqueles a quem somos apresentados e conseguimos nos afeiçoar e entender todos eles, por mais bárbaros que sejam os crimes que venham a cometer.

       São muitos os personagens mostrados ao longo da história, cada um com uma trajetória de vida muito específica e não existe uma única linha conduzindo a narrativa.
        A adaptação da obra para o cinema merece palmas (e sou suspeita para falar, porque é um dos meus filmes favoritos, e foi esse o fato que me levou a ler o livro), o personagem Busca-pé ter servido como amarração para o roteiro foi uma ótima solução.
        A inovação na produção, na escalação do elenco, tornam o universo dessa obra um dos mais fascinantes da cultura pop nacional. Cidade de Deus foi um marco para o cinema brasileiro, depois dele diversos filmes sobre a criminalidade e o tráfico surgiram e estes se tornaram os temas mais abordados pelo nosso cinema,
        Fica a certeza de que a leitura valeu muito a pena, e de que releituras ainda existirão (e o filme? bem, só nesse ano eu já assisti pelo menos umas cinco vezes.).